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Súcubo...

  Tem alguma coisa em você que distorce o tempo. A gente entra no carro com a intenção simples de ir embora — como duas pessoas normais, depois de um dia comum — mas basta a porta fechar que o mundo lá fora perde a pressa. O relógio vira enfeite. A cidade dorme, e a gente fica ali, acordado dentro de um intervalo que não pertence a ninguém. Eu já tentei entender o que acontece nesses momentos. Já tentei ser racional, dizer “agora é a hora”, abrir a porta, ir embora como se fosse fácil. Mas você encosta, ri daquele jeito meio distraído, e pronto — tudo em mim desiste de ir. É como se a despedida fosse um ritual que nunca chega ao fim. Um beijo puxa outro, um silêncio vira outro silêncio cheio de sentido, e quando a gente percebe… já não é mais sobre ficar ou ir. É sobre não querer interromper aquilo que só existe quando a gente tá ali, naquele espaço pequeno, inventando um mundo só nosso. Essa semana eu te chamei de Súcubo. Mas não no sentido sombrio das histórias antigas. É m...

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