Solidão com vista para o mar.
Tem gente que ama você, mas não suporta o que o mundo pensaria disso. Tem uma dor muito específica em perceber que o amor de alguém por você talvez exista… mas não o suficiente para enfrentar o mundo. Ontem eu e ela tivemos uma conversa daquelas que mudam o peso das coisas sem precisar terminar nada oficialmente. Continuamos juntos. Mas não do mesmo jeito. O abraço não foi o mesmo. O beijo de despedida não foi o mesmo. O toque não foi o mesmo. O silêncio não foi o mesmo. E o mais estranho é que dessa vez eu não chorei. Talvez porque alguma coisa em mim tenha finalmente quebrado. Não na frente dela. Não na despedida. Não naquele tipo de cena triste de filme. Só por dentro. Como um prédio que continua de pé depois do incêndio, mas vazio. Eu achei que fosse desabar quando essa conversa acontecesse. Achei que ia implorar, chorar, perder o controle. Mas não. Eu estava calmo demais. Quieto demais. E isso me assustou mais do que a tristeza. Porque talvez eu esteja virando exatamente aqui...