Com ela (?) — O Preço do Império
Há quem meça a vida pela solidez das paredes e pelo volume do que se acumula. Para essas naturezas, o afeto não é um território a ser desbravado, mas um ativo a ser vistoriado. Uma transação que precisa de garantias, de certidões de idoneidade financeira e de um futuro previsível, desenhado em papel timbrado. Eles venceram. É preciso ter a honestidade intelectual de entregar o troféu a quem passou meses polindo as armas do julgamento. Escreveu-se um dia, nestas mesmas páginas, uma espécie de manifesto para os que torcem contra. Na época, a segurança parecia um teto firme o suficiente para barrar o vento que vinha de fora. Mas a verdade é que o vento não precisou arrombar a porta; ele foi convidado a entrar por quem ainda precisa pedir licença para existir. Aos trinta e tantos anos, com a vida teoricamente ganha e as contas pagas por mérito próprio, o maior mistério é perceber que a maior das prisões é invisível. Uma dependência crônica de aprovação, um vício em ser validada por quem vê...