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A Física do Recuo

Já reparou que, em certas relações, existe uma física estranha no espaço compartilhado? Uma contabilidade silenciosa, quase invisível, onde o afeto parece obedecer a leis de pressão e temperatura que ninguém consegue controlar. A gente acha que o chão finalmente está firme. Acredita que as palavras novas, aquelas que dão nome e contorno ao que se sente, desenharam um limite claro, um teto sob o qual é possível descansar o sobressalto. Mas o descanso, para certas naturezas, tem o peso de uma ameaça. Existe um movimento exato que acontece quando a segurança se acomoda. Quando o peito de um se aquieta e o outro percebe que não há mais o risco da queda, algo na engrenagem recua. É como se a certeza alheia fosse um espelho que assusta. Como se o fato de um estar inteiro significasse, de alguma forma, que o outro entregou território demais. E então começam as frações... O afeto que ontem era correnteza volta a ser conta-gotas. As respostas ganham pausas calculadas; os gestos, uma distância d...

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