AMAR SEM SE PERDER...
Não foi de repente. Ninguém acorda um dia e pensa: “Hoje vou me abandonar um pouco para que alguém fique.” Isso acontece devagar. Começa bonito. Começa leve. Começa com aquela sensação boa de ser visto, de ser desejado, de ter alguém dizendo que gosta da sua companhia. E aí você se entrega. Não por carência. Mas porque acredita. Eu sempre acreditei no amor dito em voz alta. No carinho demonstrado. No “eu amo você” sem cálculo. Mas, em algum momento, eu comecei a calcular. Calcular o tempo de resposta. Calcular o quanto eu podia demonstrar. Calcular se eu estava sentindo mais do que deveria. E ninguém me pediu isso explicitamente. O medo pediu. Porque quando a gente gosta de verdade, o risco aparece junto. E o risco maior nunca é o outro ir embora. É a gente perceber que estava mais investido do que gostaria. Eu tenho essa coisa de perceber mudanças. Pequenas variações de energia. Pequenos silêncios. Pequenas distâncias. E durante muito tempo eu chamei isso de sensibilidade. Mas talvez,...