Menos de 500 dias...
Quando dois corpos estão juntos, o mundo parece fazer uma pausa. Não há espaço para as barreiras de fora, para as pressões cotidianas ou para os nós que a rotina dá na mente. Ali, o silêncio muda de figura: vira cúmplice, ganha contornos na pele, vira desejo pura e simplesmente. É a intensidade que faz lembrar o motivo de se insistir em alguém. O estranho é perceber como esse mesmo silêncio que une na presença, sufoca na ausência. Assim que a separação física acontece e as barreiras invisíveis do mundo real se erguem de novo, o que sobra é um deserto de palavras. É aí que a quietude deixa de ser cumplicidade e passa a ser distância. Cria-se um paradoxo quase cruel entre o escuro e a luz do dia. No espaço controlado de um carro à noite, no escurinho do cinema ou entre quatro paredes, a conexão é tão nítida que assume contornos de um romance de verdade. Mas basta a luz do dia aparecer, ou o cenário mudar para uma mesa de bar cercada de amigos, para que o roteiro mude. Sob os olh...