Casta...
Hoje eu me senti como alguém que nasceu do lado errado de uma fronteira invisível. Não é uma fronteira geográfica. É uma dessas linhas silenciosas que a sociedade desenha sem usar tinta — aquelas que dizem, sem dizer, quem pode e quem não pode. Eu sempre ouvi falar de sistemas de castas em lugares distantes do mundo. Pareciam histórias antigas, quase folclóricas. Pessoas que nasciam marcadas por um destino social: até aqui você pode ir, daqui pra frente não. Hoje eu senti um pouco disso. Não porque alguém tenha sido cruel de propósito. Às vezes ninguém levanta a voz. Às vezes não existe acusação direta. Só existem os argumentos práticos, racionais, aparentemente sensatos: as viagens que talvez eu não possa fazer; o padrão de vida que talvez eu não consiga oferecer; as expectativas que talvez eu não consiga cumprir. Tudo dito com calma. Tudo dito com lógica. Mas mesmo quando as palavras são calmas, elas ainda pesam. E o que sobra no silêncio depois da conversa é uma pergunta que ni...