Com Ela — A Linguagem da Pele

Tem gente que acha que fazer amor é só desejo.

Mas, quando existe verdade, vira outra coisa.

Não é apenas sobre corpo. Nem sobre urgência. É sobre encontrar, no toque de alguém, uma espécie de abrigo que o mundo inteiro desaprendeu a oferecer.

Talvez seja por isso que certas tardes permaneçam na pele mesmo depois que acabam.

Não aconteceu nada extraordinário. Nenhuma cena impossível. Só aquele silêncio tranquilo de dois corpos que seguem aprendendo o caminho um do outro. A respiração desacelerando o caos. O calor. A paz.

E talvez seja isso que mais me atravessa.

Porque quando existe entrega de verdade, o toque deixa de ser só toque. O corpo deixa de ser só corpo. Existe uma conversa silenciosa acontecendo ali... Entre pele, cheiro, presença e alma.

Com ela, nunca foi sobre o raso.

Nunca foi sobre preencher vazio ou anestesiar carência. É sobre intensidade. Sobre verdade. Sobre dois corpos que se encontram porque existe reciprocidade no fogo, no carinho, no desejo e também no descanso.

E é estranho perceber como, depois que a gente encontra isso em alguém, o morno já não serve mais.

Porque depois de sentir um abraço que abriga a alma, qualquer toque sem verdade parece pequeno. Depois de encontrar alguém que transforma desejo em paz, tudo o que é superficial perde a força.

Com ela, até o silêncio tem presença.

E talvez seja isso o amor quando ele atravessa a pele. Essa sensação absurda de retorno. Como se, por alguns instantes, o mundo finalmente parasse de ferir e a gente pudesse descansar dentro de alguém.

Algumas pessoas passam pela nossa vida.

Outras passam a morar na nossa alma.

Ela mora.

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