Gostar…? Ou "ser gostado"?
Existe uma diferença que nem sempre aparece de imediato.
E talvez nem seja evitada por mal.
Só não é vista.
Em algum momento, você começa a perceber um desalinhamento sutil.
Nada muito explícito.
Nada que dê pra apontar com precisão.
Mas está ali.
E aí começa um movimento quase automático:
Você negocia com a própria percepção.
“Talvez seja o jeito.”
“Talvez seja o tempo.”
“Talvez seja só impressão.”
Só que tem uma hora que não dá mais pra romantizar a ausência.
Porque não é sobre forma.
É sobre interesse.
Ou intensidade.
Ou sobre não ocupar o mesmo espaço em alguém que essa pessoa ocupa em você.
E quando essa diferença começa a ganhar contorno, uma dúvida simples — e incômoda — aparece:
Ela gosta de mim…?
Ou gosta do jeito que eu a trato?
Porque existe uma diferença.
E ela não é pequena.
O pior lugar talvez seja esse:
Quando você começa a perceber que está oferecendo mais do que recebe, mas ainda gosta o suficiente pra tentar justificar.
E é aí que nasce um impulso perigoso.
O de se ajustar.
O de diminuir.
Ou até o de deixar de ser quem se é só pra ver se o outro se move.
Às vezes até move.
Mas mesmo quando funciona, fica uma dúvida que não vai embora:
foi você…?
Ou foi o jogo?