Com ela — Na medida
Tem dias em que eu quase exagero.
Não no que eu sinto…
Mas no jeito de tentar segurar.
Como se, de alguma forma, o silêncio pudesse significar distância.
Como se a falta de resposta fosse ausência.
E eu sei que não é.
Eu sei que, às vezes, é só o tempo dela.
O espaço dela.
O jeito dela de existir no mundo.
E, aos poucos, eu tô entendendo.
Que nem todo silêncio é vazio.
Tem silêncio que é só pausa.
Tem silêncio que é espaço.
E tem silêncio que é... Paz.
Eu não estava acostumado com isso.
Antes, silêncio parecia falta.
Agora, com ela, às vezes parece presença.
E eu ainda estou aprendendo a reconhecer a diferença.
Que nem tudo precisa de resposta imediata.
Nem tudo precisa ser confirmado o tempo todo.
Algumas coisas…
Já são.
E continuam sendo.
Mesmo quando não estão acontecendo agora.
Com ela, eu estou aprendendo uma coisa difícil:
Não diminuir o que eu sinto, mas não deixar que isso pese.
Encontrar a medida.
Nem menos.
Nem mais.
A medida que não sufoca.
Mas também não se esconde.
A medida que respeita…
Sem deixar de estar.
Porque, no fim, não é sobre segurar alguém perto.
É sobre estar ali…
Do jeito certo.
E, talvez pela primeira vez,
eu esteja aprendendo
como fazer isso de verdade.