Com ela — Sobre a distância que não afasta

Tem uma coisa curiosa acontecendo.

A gente se afasta…
mas não se distancia.

Eu tenho pensado nisso.

Porque, com ela, nunca foi só sobre estar perto.

Teve silêncio que dizia mais do que conversa.
Teve abraço que demorava um pouco mais do que o normal.
Como se ninguém ali tivesse pressa de ir embora.

E talvez seja por isso que agora…

Mesmo em outro lugar, outro ritmo, outro tempo…

Alguma coisa continua.

E eu fico tentando entender o que é isso.

Não é saudade que aperta.

É mais quieto.

Como aqueles momentos em que a gente não falava nada…
E ainda assim estava tudo acontecendo.

O que a gente construiu não ficou preso ao espaço.

Ficou no corpo.
Ficou na memória fácil.
Ficou nesse jeito estranho de continuar presente... Mesmo sem estar.

E isso muda muita coisa.

Porque a distância deixa de ser um problema.

Vira só um intervalo.

Um tempo entre um encontro e outro.

E talvez seja isso
Um intervalo.

Na música, não é só a nota que faz sentido.

É o espaço entre elas.
É o tempo que separa… E ao mesmo tempo conecta.

Sem isso, não existe melodia.
Não existe ritmo.
Não existe nada que realmente fique.

Eu nunca tinha pensado nisso desse jeito.

Que algumas coisas não precisam de proximidade constante pra continuar existindo.

Elas seguem.

Do mesmo jeito que começaram.

Sem esforço.
Sem pressa.

Como se já soubessem o tempo certo de acontecer.

E talvez seja isso que mais me acalma agora:

Saber que, mesmo longe,
a gente ainda está.

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