Com ela… — Sobre o que transborda

Tem coisas que começam em silêncio…

E não terminam nele.

Com ela, às vezes, tudo começa simples.
Um olhar mais demorado.
Um toque que não precisa de motivo.
Um beijo.

E então alguma coisa muda.

Como se aquilo que era calmo começasse, aos poucos, a transbordar.

Não é pressa.
Mas também não é controle.

É uma espécie de urgência que não pede licença.
Que cresce sem aviso.

Quando eu percebo, já não é mais só sobre estar perto.
É sobre não querer interromper.

Como se existisse uma continuidade invisível entre um gesto e outro.
Como se parar no meio fosse quebrar algo importante.

E o mais curioso é que não parece excesso.

Parece vontade.

Uma vontade viva, insistente, que não se contenta fácil.
Que não se satisfaz em pouco.

Como se aquele momento precisasse ir até o fim, seja lá o que isso signifique.

E quando tudo finalmente desacelera…

A gente volta.

Volta pro silêncio de antes.
Pro mesmo abraço que não exige nada.
Pro mesmo lugar onde o mundo fica menor.

Como se, depois de transbordar,
tudo encontrasse de novo
o seu lugar.

Com ela, eu descobri que existem encontros assim:

Começam em silêncio,
transbordam sem pedir licença,
e terminam… exatamente onde deveriam.

No descanso de um abraço
que não precisa dizer nada.

Postagens mais visitadas