Com ela… — Sobre o que fica
Nem tudo termina quando acaba.
Com ela, eu fui percebendo isso aos poucos.
Porque depois que o momento passa,
depois que o corpo descansa,
depois que o silêncio volta…
alguma coisa permanece.
Não é o gesto.
Não é o beijo.
Não é nem a intensidade.
É outra coisa.
Uma sensação difícil de nomear,
mas fácil de reconhecer.
Fica no corpo por um tempo.
Fica na memória sem esforço.
Fica no jeito como o mundo parece um pouco diferente depois.
Como se alguma coisa tivesse sido tocada —
e não voltasse exatamente pro lugar de antes.
Outro dia, ela me disse algo que ficou comigo:
“Talvez só a simplicidade rasgue a alma.”
E eu acho que é isso.
Porque não é o exagero que permanece.
Não é o excesso.
É o simples.
O abraço sem pressa.
O silêncio compartilhado.
O momento em que não precisa acontecer mais nada.
Talvez seja isso que fica.
Não o que foi intenso,
mas o que foi verdadeiro.
Com ela, eu aprendi que algumas coisas não vão embora.
Elas só deixam de acontecer, mas continuam existindo, de algum jeito, dentro da gente.