Com ela… — Sobre o silêncio
Existe um tipo de silêncio que não incomoda.
Pelo contrário.
Ele acolhe.
Com ela eu descobri esse tipo raro de silêncio.
Vivemos num tempo em que parece obrigatório ter assunto para tudo.
Como se cada pausa fosse um problema.
Como se cada encontro precisasse ser preenchido com palavras.
Mas com ela não.
Às vezes a gente simplesmente fica ali.
Abraçados.
Sem falar nada.
E, curiosamente, é nesses momentos que eu sinto a conexão com mais força.
Porque quando existe confiança, o silêncio deixa de ser vazio.
Ele vira presença.
Vira descanso.
É como se o mundo lá fora continuasse correndo —
mas ali dentro o tempo resolvesse caminhar devagar.
Talvez seja isso que as pessoas chamam de química, mas raramente conseguem explicar.
Não é só rir muito.
Não é só conversar sem parar.
É poder parar de conversar…
e ainda assim querer ficar.
Com ela eu aprendi que alguns silêncios dizem mais do que muitas conversas.
E algumas despedidas…
parecem sempre o último beijo antes de uma longa viagem —
mesmo quando a gente sabe
que vai se ver de novo.