Com ela… — Sobre beijos
Existe uma coisa nela que eu ainda não sei explicar.
Os nossos beijos.
Não é só carinho.
Não é só vontade.
É como se cada beijo carregasse uma urgência estranha.
Como se, de alguma forma, aquele pudesse ser o último.
Às vezes a gente está em silêncio, só ali, perto.
E quando o beijo começa, muda tudo.
Não vira pressa — vira intensidade.
É diferente.
Tem uma entrega ali que não parece ensaiada.
Não parece calculada.
Parece necessidade.
Como se, por um instante, o mundo lá fora deixasse de importar.
Como se não existisse depois.
E o mais curioso é que não acontece uma vez ou outra.
É sempre assim.
Todo beijo nosso tem esse peso.
Essa vontade.
Essa sensação de urgência que não combina com calma — mas também não quebra ela.
É como se duas coisas opostas existissem ao mesmo tempo:
A paz de estar ali...
E a urgência de não querer perder aquilo.
Eu não sei explicar.
Só sei que, quando acontece,
parece que o tempo encurta
e o momento cresce.
E, por alguns segundos, é como se o resto do mundo deixasse de existir.