Com ela (?) — O Preço do Império

Há quem meça a vida pela solidez das paredes e pelo volume do que se acumula. Para essas naturezas, o afeto não é um território a ser desbravado, mas um ativo a ser vistoriado. Uma transação que precisa de garantias, de certidões de idoneidade financeira e de um futuro previsível, desenhado em papel timbrado.

Eles venceram. É preciso ter a honestidade intelectual de entregar o troféu a quem passou meses polindo as armas do julgamento.

Escreveu-se um dia, nestas mesmas páginas, uma espécie de manifesto para os que torcem contra. Na época, a segurança parecia um teto firme o suficiente para barrar o vento que vinha de fora. Mas a verdade é que o vento não precisou arrombar a porta; ele foi convidado a entrar por quem ainda precisa pedir licença para existir.

Aos trinta e tantos anos, com a vida teoricamente ganha e as contas pagas por mérito próprio, o maior mistério é perceber que a maior das prisões é invisível. Uma dependência crônica de aprovação, um vício em ser validada por quem vê o outro não como um encontro, mas como uma patologia temporária. Uma febre que o tempo e o isolamento social calculadamente curariam. "Vai passar", diziam os diagnósticos soberbos de quem nunca se deu ao trabalho de conhecer o paciente.

É... Acho que passou.

Não porque o sentimento fosse raso, mas porque é impossível competir com um império de certezas materiais quando o outro lado prefere o luxo da gaiola ao risco do voo. Não há como competir com o peso de uma herança emocional que exige o sacrifício do que é autêntico para manter o status quo dos almoços de domingo.

No final das contas, o espanto não é por terem torcido contra. O espanto é perceber o esforço monumental que se fez para tentar ser aceito por um tribunal que eu sequer respeito. A urgência que se teve em buscar o carimbo de aprovação de pessoas que confundem valor com preço.

Eles ficam com o império intacto, com as paredes altas e com o silêncio higiênico dos dias iguais. Eu fico com a minha calçada, com a minha urgência e com a certeza de que nunca precisei de uma tabela de preços para saber o tamanho do meu peito. A doença, no fim das contas, nunca foi o amor. Foi a anestesia.

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